Mário Ferreira dos Santos – Filosofia e Cosmovisão, Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais – Sinopse 01.

Mário Ferreira dos Santos - Filosofia e Cosmovisão
Mário Ferreira dos Santos, Filosofia e Cosmovisão – Link: Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais Catalogo.

Filosofia e Cosmovisão, do filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos, é, ao mesmo tempo, introdução à filosofia, apresentação enciclopédica de ideias filosóficas e obra de um filósofo original. Dito de outro modo, o presente volume é didático, erudito e profundo. Como diz o autor, não se aprende filosofia sem filosofar. Este livro, portanto, “é um convite à filosofia, uma incitação ao filosofar”.

“Um professor alemão, o primeiro a iniciar-me nos estudos de Filosofia, conhecedor de nosso povo, costumava manifestar-me a sua admiração pela inteligencia de nossa gente.

Para êle que percorrerá tantos países, que ministrara lições em tantas universidades e escolas do Ocidente e do Oriente, era o brasileiro o aluno mais vivo, mais inteligente, mais sagaz no raciocínio, e de mais profundas intuições que conhecera.

No entanto, punha uma restrição. Julgava-nos demasiadamente inquietos e desequilibrados quanto ao conhecimento. Afirmava-me ter encontrado grandes valôres, homens de capacidade extraordinária, mas, em muitos aspectos, falhos de certos conhecimentos elementares, que eram como abismos por entre cumes de montanhas,

Atribuía êsse desequilíbrio  à natural pressa dos povos americanos e à falta de disciplina mais rígida no trabalho. Nessa época, considerava eu suas palavras um tanto exageradas. Mas com o decorrer do tempo, e através de aulas e enúmeras conferencias, palestras e debates que empreendi, verifiquei assistir ao meu velho e venerado mestre uma grande soma de verdade.

Atribui-se êsse nosso defeito ao Autodidactismo que todos sem excpeção, neste país, somos obrigados a seguir. Sempre fui um admirador dos autodidatas porque um estado apurado da historia e da biografia de grandes homens, revela-nos que entre os maiores criadores, o numero dos autodidatas é sempre maior do que daquêles presos a o de uma escolaridade rígida, quase sempre prejudicial à capacidade criadora.

Não seria, porém, êsse apenas o factor decisivo, pois outros poderia ainda ser propostos.

Foi considerando tais aspectos reais de nosso povo que ao empreender os meus cursos, e depois decidir, a pedido de tantos alunos, transformá-los em livros, compreendi que não deveria ministrar filosofia, no Brasil, seguindo os métodos de povos que tem uma disciplina de estudos muito diferente da nossa.

Por esta razão, sempre julguei que, ao lado do tema mais profundo, havia sempre de considerar aquêles abismos de que êle me falava. Foi essa a razão que me levou, ao publicar êste primeiro livro da série de meus cursos de Filosofia, a usar uma linguagem dentro de certo rigor filosófico, mas considerando, na exposição, êsses abismos e nunca pressupor o conhecimento, por parte do leitor, de certos aspectos elementares da filosofia, que devem e precisam desde logo ser esclarecidos.

E foi pensando assim que executei essa obra desde uma explanação mais simples até, na COSMOVISÃO, (segunda parte do livro), tratar dos temas da filosofia, embora ainda de forma sintética, com uma linguagem mais rigorosa.

É possível que muitos dos leitores, que já manusearam livros de filosofia, e já tiveram contacto com o pensamento filosófico, encontrem passagens demasiadamente simples. Mas êsses formarão apenas uma parte dos leitores, e não a maior, e deverão compreender que, se assim procede, é por considerar uma das características de nosso povo, e que me levaram a usar um método que corresponda a nossa índole e possa, por isso mesmo, ser de maior e mais geral proveito.

Nos livros sucessivos, que formarão a séries de minhas obras de Filosofia, os temas passarão a ser tratados, já considerando o conhecimento do que é exposto nesse volume, para poder avançar cada vez mais analiticamente nos estudos das matéria, para encerrá-las  em uma concreção global, que é o terceiro estágio do método que escolhi para o estudo da filosofia, e que a experienciaria já me mostrou ser o mais eficaz.

Após o estudos sintético, que segue a análise dos temas abordados, abstractamente, para devolvê-los a concreção de que fazem parte, evitando, assim, que o estudo da filosofia se torne, o que em geral tem sido, campo de elucubrações abstractas para transformar-se numa ampla visão do mundo e numa metodologia para a própria vida.

E nada melhor atesta a conveniência do método escolhido que o progresso verificado entre aquêles dedicados ao estudo da filosofia, segundo as minhas aulas, o que sem apelos a falsas modéstias, não posso deixar de considerar a melhor  paga a meus esforços.” (Mário Ferreira dos Santos, Prefácio)

LINK ISSUU: Mário Ferreira dos Santos – Filosofia e Cosmovisão.

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