Mário Ferreira dos Santos – O Grande Filósofo Brasileiro

Mário Ferreira dos Santos O Grande Filósofo Brasileiro
Mário Ferreira dos Santos, O grande Filósofo Brasileiro. Desenho, por Joel Lobo.

“Todo homem deve viver e morrer como um

guerreiro” (Mário Ferreira dos Santos)

A finalidade desta monografia é traçar o perfil biográfico de Mário Ferreira dos Santos abordando, em linhas gerais, a sua produção intelectual e filosófica no cenário brasileiro.

Apesar de suas obras terem se difundido por todo o território nacional, principalmente na década de 60, alcançando tiragens bastante representativas no mercado editorial, sua figura continua ainda bastante ignorada nos meios intelectuais. Para suprir esta falha e também, a pedidos de muitas pessoas interessadas em conhecer detalhes de sua vida e obra, elaboramos esta monografia.

Ele próprio comentou, inúmeras vezes: “Não sou um professor de Filosofia, sou um filósofo. Há um silêncio a minha volta, mas não me importo. Quero que o leitor me julgue e só dele quero receber a critica boa ou má. Meus livros,‘ observou,’ foram entregues ao seu próprio destino, sendo os leitores os únicos propagandistas; já que era meles que os conselhavam à outros e, desta forma, foram tornando-se conhecidos e procurados”.

Sua postura ante a vida baseou-se nos princípios contidos nesta alocução… “Nunca ocupei nenhum cargo em nenhuma escola, por princípio. Deliberei desde os primeiros anos tomar uma atitude que consiste em nunca disputar cargos que possam ser ocupados por outros. É uma questão de princípios! Sempre decidi, para mim, criar o meu cargo, a minha própria posição, construir para mim a própria situação, e não ter de ocupar o lugar que possa caber a outro. O meu lugar seria o meu lugar, criado por mim, para mim mesmo; por isso não disputo, nem nunca disputei, nem nunca disputarei qualquer posição, que possa ser ocupada, por quem quer que seja. Em suma, a minha vida, em síntese, é simplesmente esta”.

Uma das críticas que mais recebeu foi a da extrema produtividade intelectual que causou, e ainda causa, estranheza! Realmente, os tipos enciclopédicos são “raros” na história do pensamento filosófico e ele próprio se questionava: “Que filósofo seria eu se não pudesse tratar filosoficamente de cada ciência?”

Acreditava na possibilidade do povo brasileiro… “todos aqueles que no Brasil revelaram possuir mente filosófica, e não  foram muito numerosos, mas contudo, foram brilhantes, tenderam sempre para um pensamento de caráter sintético; isto é, não ficaram totalmente dependentes às correntes filosóficas européias.

Sempre houve, entre nós, o desejo de abarcar o universal, esta característica é naturalmente justa e própria de um povo que vive em si mesmo o universal; por isso o Brasil é atualmente um dos países existentes, aquele que está melhor capacitado para uma filosofia universalizante, ou pelo menos, para uma nova linguagem filosófica, capaz de unir o pensamento que divergiu tão profundamente no campo já esgotado do pensamento europeu.

 Aqueles que não pensam assim, que não admitem essa possibilidade para nós, que continuem vivendo o seu modo de pensar. Nós preferimos, porém divergir”.

Sua vida foi marcada por uma luta contínua contra as idéias negativas… ao que destrói em vez de construir; ao que rebaixa em vez de elevar… “O homem é um fim e não um meio. Utilizá-lo, transformá-lo em peça de um mecanismo é ofender a sua dignidade”.

Esta monografia desenvolverá tópicos relativos a produção filosófica, sendo fiel aos dados biográficos, tendo como princípio norteador, o adágio citado por ele: “Um homem vale por suas obras”. Assim só constarão dela passagem biográficas que influenciaram sua formação intelectual definindo os traços  mais marcantes de seu caráter- embrião das idéias que concretizam o seu pensamento filosófico -.

Algumas observações se fazem aqui necessárias. Em primeiro lugar consultamos o acervo particular e selecionamos cartas, manuscritos, papéis avulsos, rascunhos, esboços de obras, aulas, palestras e gravações. O material utilizado encontra-se arquivado. Os trechos citados de aulas e palestras foram diretamente datilografadas de fitas gravadas e não tiveram a correção do autor. Mantivemo-nos fiéis a linguagem original, que muitas vezes assemelha-se a uma conversação.

Não desenvolvemos uma análise da obra filosófica, pois o nosso intuito é oferecer subsídios para futuras abordagens.

Desde as primeiras incursões na literatura, está presente a temática filosófica, que foi se desenvolvendo e se estruturou na Filosofia Concreta atingindo a sua obra máxima, a Matese.

Partindo do indivíduo como unidade, chegamos até o pensamento que é universal, e que ele legou a humanidade como parcela de contribuição à Cultura. E para concluir, fazemos nossas, estas suas palavras: “Embora não consigamos realizar – e uma vida é muito pouco para tão ingente trabalho – o nosso intuito que é dedar uma visão tensional global do existir, acompanhada de tantas provas quantas necessárias, temos certeza, porém, que o esforço de tantos anos de observação e de estudos não estará perdido, pois estamos certos que deixamos alguma coisa que pode servir de ponto de partida para ulteriores estudos e novas postulações…”

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