Mário Ferreira dos Santos – Convite a Filosofia

mário ferreira

Em longas e demoradas especulações através dos seculos, tem o homem constantemente perguntado. Em suas respostas às magnas e mais importantes perguntas, levaram-no a formular outras que se algumas vezes satisfizeram a alguns, não satisfizeram a todos e, por sua vez, provocaram novas perguntas.Perguntou o homem, sobre si mesmo: Quem sou? De onde vim? A antropologia procura responder-lhe essa pergunta. E a cosmologia, que estuda a ordem do cosmos, procura responder-lhe sobre a origem deste, de onde veio, qual o principio. E vem a Teologia, ciência das coisas divinas, para discutir as razões e motivos a favor ou a desfavor da crença de Deus, o ser criador.

E se Deus existe, por que o Bem e o Mal? Por que não é diferente o mundo? E dessas perguntas, outra disciplina, a Teodiceia (de Theos, Deus, e Dikê, justiça, em grego) é a quem cabe responder se há ou não há justiça no mundo.

E como sabemos? E vem ao nosso encontro a Genesiologia para explicar-nos o conhecimento. Como se dá o saber culto? E, eis a epistemologia, que estuda o saber das diversas ciências.

E como formou o homem sua inteligencia? E, eis a Psicogênese, que lhe ensinará os problemas referentes à formação do psicologismo humano. E o espirito humano, que é criador, como surgiu? E sobre esse espirito criador surge outra disciplina, a Noogênese, que estuda a gênese do NOUS o espírito, e, finalmente a Noologia, a ciência do espírito.

E como funciona esse psiquismo? E, eis a Psicologia, que se encarrega de propor respostas às perguntas formuladas aqui. Mas, além de tudo isso, significam as coisas algo, dizem mais que o fenomênico? E, eis a Simbólica, que examina as significações das coisas.

E há algo oculto, que possamos penetrar mais profundamente? E, eis a Mística, que quer responder a essas perguntas. (ver significado mesmo, sem que se tome pelos tons e nuances pejorativos do termo)

E as coisas são belas, apresentam em si mesmas algo que lhes de outro valor? E, então, é a a estética que estudará esse ponto.

E o transcendente? Podemos alcança-lo…, poderemos alcançar o que está além de nós, além de nossas experiencias? E, eis que caberá a Metafísica Geral, a Ontologia, para responder a tais perguntas.

E como se dão os fatos no universo? E temos a ciência, que procura explicar o nexo do acontecer dentro de si mesmo, em sua imanência, no que mana em, dentro de si, nas coisas experimentáveis. E como medir os fatos e contá-los E surge a Matemática.

E como compreender o nexo dos pensamentos e usá-los da melhor maneira para atingir uma iluminação, que nos mostre mais nitidamente os fatos? E, eis a lógica e a Dialéctica.

E como explicar tudo isso, dar o nexo a tudo, juntar todo o conhecimento humano, e analisá-lo num grande corpo, em um grande saber, que seja o saber de tudo, que seja o saber dos saberes? Eis, que surge, então, a filosofia.

Pode-se remontar a filosofia, assim como a entendemos no Ocidente, aos Pitagóricos pois razões bastante justas tem estes em considerar Pitágoras como o fundador daquela, e não apenas quem lhe deu o nome, ao chamar-se humildemente de filósofo, palavra proveniente do que em grego philoô, que significa amar, mesclou-se a palavra sophia que em grego vem a significar saber, sabedoria, então, intitulando-se tal um amante da sabedoria, um amante do saber quando atribuí a si: filósofo.

Considerava Pitágoras haver uma ciência, um saber independente do homem, independente do seu investigar e da sua especulação. Na ordem do ser universal, já está esse saber efetivo, dado de toda eternidade, essa ciência suprema e positiva, essa positividade, thesis, do pensamento, man, de onde vem o termo Mathesis, saber positivo, pensamento positivo. O homem é apenas um sem perplexo ante os acontecimentos do seu mundo e que não se satisfaz em apenas construir conceitos empíricos de sua experiencia sobre as coisas. Ele deseja conexionar e conexiona, busca relações que ultrapassam aos sentidos, os nexos que unem, portanto, os fatos do mundo.

Ele é um eterno viandante pelos caminhos do mundo em busca da Mathesis Magiste (Mathesis Suprema, instrução suprema), que deseja conhecer essa ciência superior e perfeita que já está dada e que a sua limitação e os meios imperfeitos que dispõe, não lhe permitem uma intuição direta e imediata, como a que os seus sentidos oferecem.

Conhecer as coisas, através dos sentidos, é uma visão ainda desordenada e caótica do mundo que o cerca, no qual está imerso. Coordenar esses conhecimentos, conexioná-los, descobrir os nexos que os unem, conhecer as razões de seu existir e de seu não existir, constituem, para ele, um conhecimento que as intuições sensíveis não oferecem.

[…]

Mário Ferreira do Santos, Teoria do Conhecimento – Método de Suspicácia.

Mário Ferreira dos santos – Teoria do Conhecimento, 1956. Art. MÉTODO DE SUSPICÁCIA.

Em face da heterogeneidade das ideias, das estereis, ou não, disputas de escolas, da diversidade de perspectivas, que podemos observar em toda literatura filosófica, com a multiplicidade de vectores tomados impõe-se ao estudioso a máxima segurança a o máximo cuidado para não deixar-se arrastar, empolgado pela sugestão e até pela sedução das idéias expostas, que o leve naturalmente, a cair em novas unilateralidades ou a prende-lo nas teias de uma posição parcial, que não permitiria surgir aquela visão global e includente, que temos proposto em todos os nossos livros.

São as seguintes regras da suspicácia, que propomos:

I- Suspeitar sempre de qualquer ideia dada como definitivamente (ideia ou opinião, ou teoria, ou explicação etc.).

II- Pelos indícios, buscar o que gerou. Ante um conceito importante procurar sua gênese (sob todos os campos e planos da decadialéctica e da pentadialéctica, LIVRO: LOGICA E DIALÉCTICA):

a-) Verificar se surge da experiencia e se se refere a algo exterior a nós, por nós objetivado; b-) Se surge por oposição, (ou negação), a algo que captamos ou aceitamos; c-) Se é tomado abstractamente do seu conjunto; d-) Se o seu conjunto está relacionado a outros, e quais os graus de coerência que com outros participa.

III- Não aceitar nenhuma teoria, etc., que só tenha aplicação num plano, e não possa projetar-se analogicamente, aos outros mais elevados, como princípio ou postulado ontológico.

IV- Suspeitar sempre, quando de algo dado, que há o que nos escapa e que precisamos procurar, através dos métodos da dialéctica.

V- Evitar qualquer idéia, ou noção caricatural, e buscar o funcionamento dos esquemas de seu autor para captar o que tem de mais profundo e real, que às vezes pouco transparece em suas palavras.

VI- Devemos sempre suspeitar da tendencia abstraccionista da nossa intelectualidade, que leva a hipostasiar o que distinguimos, sem correspondência na distinção real, no complexo concreto do existir.

VII- Observar sempre as diferenças de graus da actualização de uma idéia, pois a enfase pode emprestar à essência de uma formalidade o que, na verdade, a ela não pertence. Assim, o que é meramente accional, a propriedade, o próprio, que surgem apenas de um relacionamento, podem, em certos momentos, ser considerados e predispondo, que, posteriormente, grande erros surjam de um ponto de partida, que parecia fundamentalmente certo.

Ao defrontarmo-nos com um absurdo ou com uma posição abstraccionista absolutista podemos estar certos que ela parte de um erro inicial. Remontando às origens, aos postulados iniciais, não será difícil perceber o erro.

VIII- Na leitura de um autor, nunca esquecer de considerar a acepção em que usa os conceitos. Na filosofia moderna, cuja conceituação não adquiriu ainda aquela nitidez e de segurança da conceituação escolástica, há uma multiplicidade de acepções que põe em risco a compreensão de idéias. E muitas polemicas e diversidade de posições se fundam sobre a maneira pouco clara de apanhar o esquema noético-eidético de um conceito, o que decorre da ausência da disciplina, que era apanágio da escolástica em suas fases de luxo.

IX- No exame dos conceitos, nunca deixar de considerar o que incluem e o que excluem, isto é, o positivo incluído no esquema conceitual, e positivo, que a ele é recusado.

X- Nunca esquecer de considerar qualquer formalidade em face das formalidades que cooperam na positividade, sem estarem inclusas na sua tensão.

Assim, por exemplo, a rationalitas, no homem, implica a animalitas, embora formalmente, no esquema essencial, a segunda não inclua necessariamente a primeira, enquanto a primeira implica, necessariamente a segunda.

Mas, como esquemas formais, ambas se excluem, apesar de a primeira exigir a presença da segunda para dar-se no compositum, isto é, na humanitas.

XI- Sempre cuidar, quando de um raciocínio, a influencia que possa ter, em nossas atualizações e virtualizações a inercia natural do nosso espirito, o menor esforço, sobretudo nos paralogismos e na longas argumentações.

XII- Toda afirmação que apresente cunho de verdade, verificar em que plano esta se verifica: se no ontológico, no ôntico, no lógico, no formal, no genesiológico, no material, no axiológico, no simbólico, no pragmático, etc. Estabelecida a sua positividade, procurar as que exige para que se ab-tenha um critério seguro. Esta última providência, e o modo de seu processuar, é a que se adquire pela matéria a ser examinada nesta obra.

Mário Ferreira dos Santos, Mario Ferreira dos Santos - Filosofo Brasileiro.

Olavo de Carvalho, sobre Eric Voegelin. Considerações acerca do conhecer sensível, JOLIVET.

O conhecimento Sensível, JOLIVET, Régis. Curso de Filosofia, 1968. Ed. Livraria Agir Editora. Tradução: Eduardo Prado de Mendonça.

Os fenômenos grupados sob o nome de conhecimento sensível são os que resultam imediatamente da ação dos objetos externos sobre os sentidos. São as sensações, que são as condições sensoriais da percepção, — a imaginação ou a faculdade de conservar ou fazer reviver os dados sensíveis como tais, sem referencia ao passado, — enfim, a memória, ou faculdade de conservar o passado como passado.

A sensação. Art. I.

É normal começar o estudo do conhecimento sensível pela sensação. Mas cumpre notar que as sensações não podem ser consideradas como os elementos ou partes de que se comporiam as percepções (ou apreensões do objeto) . Na realidade todo conhecimento sensível é percepção do objeto e apenas por abstração é que se isola a sensação, para estuda-la à parte.

Mário Ferreira dos Santos, Aristóteles e as Mutações – Introdução.

A razão não apanha o movimento, mas sim uma forma em movimento. Não é o movimento algo primário e original, mas um resultado. Também é um resultado dimensional, e tudo o que é dimensional implica movimento. Todo o resultado é uma transitividade, porque transita do que era antes da operação, para o que é após a operação. Também todo movimento é transitividade. Em todo movimento há a atualização de uma possibilidade, e como o acto é a perfeição da potencia, em cada momento de transitividade há sempre um ultrapassar.

O movimento é uma modal da acção transitiva. Esta revela a perfectibilidade da potencia: o acto, que revela a passagem de um modo de ser para outro, que é uma nova qualificação do ser, que passa de um modo para outro.

Se reduzirmos à filosofia, podemos dizer, seguindo a posição de Suarez, que o movimento é uma modal. O movimento, deste corpo é algo que é distinto dele, mas que é absolutamente inseparável dele. O estudo de modais que cabe à Ontologia, mostra-nos que o movimento e a dimensão são apenas modais, modalidades das coisas.

A formação do esquema da dimensão é importante a compreensão de muitos aspectos do movimento. A disposição das partes em ordem a um todo, permitiu ao homem captar o seu nexo. Ser estudarmos etimologicamente o conceito de dimensão, alcançaremos a sua raiz, o qual é aposterioristicamente construído pelo homem (post rem), fundado na sua experiencia. Nessa dimensio ou densio do latim há sempre o apontar da acção da mente (mens, mentis, mensura, e por consequência, medida, captação pensamental do acto de penar ao comparar pensamentos uns com os outros).

Esse de aumentativo, reforçador, revela-nos que a mente, que actua sempre por acomodação dos esquemas aos factos do mundo exterior ou aos pensamentos, realiza a assimilação pela “assemelhação” do intencionalmente captado com o esquema, tambem intencional.

Formado o esquema de ordem, e a captação da relação das partes com um todo, facilmente se é levado ao serial e à formação do conceito de dimensão, que já é sensivelmente construído pela ordenação das coias no mundo exterior.

Dessa forma, vê-se, apesar de tratado em linhas gerais, que cabe a Noologia estudar, que a dimensão implica a medida (mensura) e a ação da mente em comparar pensamentos captados com pensamentos estruturados  em esquemas abstrato-noéticos. Daí, têrmos as dimensões tópicas (essa dimensão que se estende localiter, a mensura externa, polumen, que é revelada pela ubiquação das coisas do mundo exterior, comparadas, postas de par em par) e que fundam os esquemas das três dimensões do espaço, captadas pelo sensório-motriz e estruturadas em esquemas abstratos-noéticos pela mente (abstração do quantitativo).

E há outras dimensões, como as qualitativas, as axiológicas e as tensionais, que surgem como esquemas abstratos-noéticos da comparação das medidas qualitativas pela comparação dos aspectos qualitativos. Estamos, aqui, em plena dimensionalidade qualitativa, dimensões extrínsecas às espaciais, às do volume, meramente extensistas. As qualitativas são intensistas, pois nelas predominam os graus, já tanta vezes estudado por nós.

As dimensões, vê-se desde logo, implicam a ordem das partes com o todo, a comparação, e são modalidade das coisas. As dimensões do espaço são modais dos corpos, inseparáveis desses, mas metafisicamente separáveis pela construção dos esquemas noéticos que lhes correspondem, sem que lhes caiba um conteúdo fáctico, subsistente de per si, isto é com perseidade. Não se dá a profundidade em confusão de esta ou aquela coisa, sem delas se separar em absoluto.

Este é o carácter modal da dimensão das coisas piores (as quantitativas) . E como modal tambem o é a dimensão não tópica, as qualitativas. Para justificar a nossa tese, que em muito nos auxiliará a obter a melhor compreensão do texto aristotélico, examinemos previamente as medidas.

AS MEDIDAS 

Medir é uma ação que consiste em dar valor numérico a um objeto pelo numero de vezes que contenha a unidade empregada. A medida quantitativa realiza-se por um metron, como se procede na medida da extensão por um extensão que serve de termo da comparação. Compara-se esta extensão com uma extensão menor, e vê-se quantas vezes a primeira contem a segunda. A medida, portanto implica o homogêneo ao medido. Medem-se homogeneidades. Quando se trata da extensidade, temos as medidas quantitativas.

Mas quando se trata de qualidades, a mediada já não é uma unidade menor. As qualidades são medidas pelas suas perfeições, portanto por um maximum e não por um minimim, como a medida quantitativa. Meço este quarteirão, reduzindo sua extensão (homogeneidade considerada), com um metro (uma extensão menor, homogeneamente considerada). Mede-se o maior pelo menor.

Mas, no qualitativo, mede-se o menor pelo maior. Se quero medir este verde, não digo que ele tem dois ou três unidades de verde, mas digo que ele tem dois ou três unidades de verde, mas digo que é mais ou menos ver, comparando-o com o verde perfeito, que é ideia, do qual tenho uma posse virtual, e não actual, como acontece com todas as perfeições, das quais participamos.

Sintetizando:

A-) A medida extensiva, (como minimum), abstratamente considerada e despojada da quantidade, porque essa é divisibilidade, enquanto considerada apenas como quantidade (homogênea);

B-) A qualidade, perfeita em sua série (como maximum, portanto), é a medida da intensidade, apenas como tal, e abstratamente considerada;

C-) O valor, (como perfeição de sua hierarquia), como máximum, portanto, é a medida dos valores (escalaridade de valores, mias ou menos);

D-) A unidade individual, como medida da tensão, que é mensurável e não medível, é tomada qualitativamente e não quantitativamente.

Em suma:

A medida é o que nos faz conhecer se uma coisa é maior ou menor, e se é mais ou menos que outra, o que tanto na ordem quantitativa, como qualitativa, já é um principio de conhecimento, embora parcial.

Estas palavras, que a seguir reproduzimos, dão clareza ao pensamento exposto até aqui.

“O espirito mede as quantidades por adição portanto, a unidade quantitativa é um minimum. O espirito mede a qualidade por “composição”, unindo a um elemento de ordem actual um elemento de ordem potencial, afirmando uma deficiência, e, portanto, a unidade qualitativa é um perfeito, um maximum” (Isaye, pág. 38).

 

O Silêcio que não Silencia, Prof. Dr. Pe. Stanislavs Ladusãns. SI.

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Escudo Nacional da Letônia Livre

Prof. Dr. Pe. Stanislavs Ladusãns. SI. 

Diagramação e Rescrição do Arquivo de artigo digital, ISAÍAS KLIPP. Arquivo Digital:  LADUSÃNS, Stanilavs. O Silêncio que não Silência. Sobretiro de Humanitas, Número 20. Universidad de Nuevo León – 1979.

  1. Um Prólogo ao Calvário da Letônia esquecida

Não está claro ainda a todos que as memorias de Abraham Lincoln sobre a escravatura abolida, as historias de servidão que reinava no Brasil e está reinando ainda hoje em alguns lugares da terra fora do “paraíso vermelho”, são apenas uma sombra, se considerarmos o atual regime escravagista dos comunistas, que se apresenta como uma defesa dos operários e abolição de injustiças. Os povos oprimidos terrivelmente pelos comunistas não tem liberdade nem para falar: são povos do silencio. Este silêncio, porém, é gritante pela crueldade de fatos. Pronuncia-se tragicamente pelo documentário de Alexandre Solzhenitsyn “Arquipélago Gulag”, dedicado a todos aqueles a quem a vida não permitiu denunciar os horrores sofridos no “paraíso vermelho”. Esta obra famosa, em que “não há personagens imaginários, nem acontecimentos imaginários”, projeta luz também sobre o Calvário da Letônia, país báltico, de dois milhões e meio de habitantes. No mundo atual desespiritualizado e alucinado por quantidades astronômicas, este povo, por ser numericamente inexpressivo, está condenado ao esquecimento. A verdade, porém, é evidente e não silencia: não existe um povo pequeno, quando o crime cometido contra a dignidade humana é enorme. Em que consiste este crime? O ilustram os fatos que vamos ver em seguida.

I. Letônia Livre

Durante séculos a fio o povo Letôniano foi sucessivamente dominado pelas diversas nações vizinhas. Foi somente em 1918, que ele lutando heroicamente, conseguiu libertar-se do jugo da Rússia e ter um breve período de independência. Este durou até 1940, quando, a 17 de junho, a Letônia foi ocupada injustamente pelo exercito da União Soviética. Esta ocupação foi uma injustiça gritante, pois o único “crime” deste país foi o grande amor à liberdade, na qual viveu  pacífico e próspero.

O breve período de liberdade trouxe à Letônia um bem imenso, que econômico, que político, quer social e espiritual. País favorecido por ótimos recursos naturais, habitado por um povo de excelente qualidade e laboriosíssimo, progrediu rapidamente em todos os setores. Achavam-se então em pleno desenvolvimento e esplendor tanto a instrução politica e a produção literária, como a agricultura, o comércio, a indústria e a navegação. Do ponto de vista religioso, três quartas partes do país são acatólicas. A vida da Igreja Católica, porém, ressurgiu e progrediu muito. Os católicos da Letônia constituem um quarto da população (24,25%) e habitam, em massa compacta, a província Latgola. Outros vivem na diáspora, dispersos entre os luteranos.

Foi à Sé Apostólica o primeiro dos governos a reconhecer a independência política da Letônia, liberta do domínio Russo. O seu Governo formou uma concordata com a Santa Sé, no ano de 1922, a primeira no prontificado de Pio XI, acrescentando-se lhe, em 1937, a cláusula da ereção de uma Faculdade Católica de Teologia da Universidade de Riga, mantida pelo governo Letôniano não católico. A liberdade da Igreja Católica estava suficientemente garantida pela concordata e pelas leis civis. O clero achava-se isento de serviço militar. Os professores de religião ensinavam, com plena liberdade a doutrina católica nas escolas. Os católicos gozavam tranquila paz, contribuindo muito para o pregresso da vida espiritual, conforme a verdade de que o valor intrínseco da pessoa humana supera incomensuravelmente todos os bens materiais e de que o povo vale mais pelo que é qualitativamente na fidelidade ao Cristianismo do que pelo número e pelo que tem. Foram os valores de justiça e da fraternidade entre os povos que empolgavam à pacífica e próspera nação letoniana. No entanto vieram tempos de trevas e sofrimentos, quando a Letônia caiu sob o poder escravizante dos comunistas.

II. A Primeira Escravidão

Em junho de 1940 os bolchevistas acusaram, com uma desfaçatez farisáica, as três pequenas nações do Báltico (Estônia, Letônia e Lituânia), vizinhas da Rússia, de intenções agressivas a respeito da poderosa União Soviética. O exercito comunista entrou logo nos três países pacíficos, violando seus mais lídios direitos, esmagando todas as legítimas liberdades. Começou assim o Calvário de Letônia.

Um ano inteiro durou a primeira ocupação comunista. Neste ano terrível escravidão esvai-se a vitalidade de nação, sugada por mil ventosas. Começa a agir a polícia secreta, encarcerando sem cessar, de modo especial, os melhores elementos da nacionalidade. O terror e a espionagem incessantes, dia e noite! … A destruição da cultura nacional é arrasadora! … A liberdade religiosa supressa. A educação se transforma em uma arma de propaganda a serviço do estado vermelho. As propriedades particulares parecem. A deportação e a condenação de pessoas a trabalhos forçados são implacáveis. Em 1941 os bolchevistas atearam fogo à Biblioteca de Riga, e as chamas consumiram trezentos mil volume, entre os quais diversas coleções de raríssimo valor cultural. A câmara Municipal de Riga, os edifícios de valor histórico da “Velha Riga” ficam reduzidos a cinzas. A perseguição à Igreja Católica assume proporções terríveis. O Núncio Apostólico é obrigado a deixar o país. Patrimônios territoriais, bibliotecas, arquivos eclesiásticos, tudo arrebatam os vermelhos. A faculdade Católica de Teologia, os colégios católicos são supressos. As revistas católicas proibidas. As tipografias confiscadas. Impedidas as edições de livros católicos. A pregação da Palavra de Deus, a atividade dos sacerdotes é limitada por mil obstáculos. O ensino da religião cristã à juventude nas escolas é proibido. A base da educação não é mais a moral, mas um código de preceitos do mais grosseiro materialismo e animalidade. Nas bibliotecas escolares abundam os livros de natureza silenciosa. Nas paredes de todos os estabelecimentos de ensino vêem-se enormes retratos de Marx, Lenin, Stalin. As crianças devam crer que vivem por obra e graça da magnanimidade de Stalin (ironia). Todas as lições são adulteradas de modo a subscreverem a teoria materialista da de classes a do “triunfo final do proletariado”. No fim deste ano de escravidão a Igreja católica perde onde padres, que são terrivelmente torturados, fuzilados ou deportados para a Rússia. A perseguição atinge dolorosamente também os luteranos e outras confissões religiosas.

Este no criminoso termina na Letônia com um tristíssimo fato, que constitui o cume do sadismo vermelho e supera a todos os demais crimes cometidos pelos bolchevistas durante a primeira ocupação deste país: começando durante a noite de 13 para 1941, durante três trágicos dias, dezenas de milhares de pessoas foram barbaramente arrancadas a seus lares, carregadas em caminhões, conduzidas para trens de gado e déspotas para a Rússia, encontrando a morte de terríveis suplícios físicos e morais … Não há um filho da Letônia que porra jamais esquecer as noites e dias desse período de horror. Os trens, carregados de vitimas – operários, camponeses, professores, engenheiros, médicos, intelectuais etc. – ficavam muitas vezes parados durante dias, esperando ordem de marcha. Quem tentasse fornecer comida ou água aos deportados, eram imediatamente fuzilados. Só desta vez a Letônia perde cerca de 36.000 dos seus filhos…

Tudo isso foi silenciado no mundo livre. É costume dos Letônianos exilados romper este silêncio vergonhoso e evocar sistematicamente, com preces comunitárias e comunicações sociais, no ano presente (1978) já pela 38 vez, a tragédia de junho de 1941, não com o espirito do ódio e vingança aos perseguidores, mas repudiando os seus crimes cometidos contra as vítimas inocentes e a liberdade de um país. Os Letônianos querem alertar deste modo os povos livres do Ocidente para que não se iludam e se unam a justiça no amor cristão e numa fraternidade sincera, colocando suas esperanças mais nos valore de espirito do que nas maravilhas do progresso tecnológicos, conforme a recente e sagaz advertência de Alexandre Solzhenitsyn, feita na Universidade de Harvard, dos Estados Unidos da América, exatamente no mês de junho em curso: “Colocamos esperanças demais nas reformas políticas e sociais, apenas para descobrir que estávamos sendo despojados de nosso maior dom: nossa vida espiritual. No Leste isto foi destruído pelas maquinações do partido no poder. No Ocidente o interesse comercial tende a sufoca-la. Esta é verdade crise. A ruptura do mundo é menos terrível que a doença que ataca suas partes” (7 de junho de 1978).

III. A Segunda Escravidão Vermelha

O período da primeira escravidão implantada na Letônia pelos comunistas (1940 – 1941) foi interrompido pelos nazistas. Começada a guerra entra a Alemanha nazista e a Rússia Soviética, o exército de Hitler prosseguindo na sua marcha avassaladora e ocupou o país. O tempo terrível da ocupação nazista da Letônia, desde o dia 1 de junho de 1941 até o dia 2 de maio de 1945, foi um triste prelúdio de uma ocupação Soviética, mas terrível ainda. Depois que as forças Aliadas Ocidentais destruíram a máquina militar de Hitler, ruiu uma ditadura, e o mundo sentiu-se feliz esperando uma paz verdadeira. Mas infelizmente isso não se aplicava à Letônia, como a tantos outros povos da Europa. A “Cortina de Ferro” separava-a da vista e influencia do mundo civilizado. Voltou-se um novo período do trágico silêncio.

Desde o ano de 1945 o terror vermelho continua a destruição da nação letoniana conforme um plano perverso. A planejada deportação em massa das inocentes tem-se ampliado nos terríveis anos da segunda escravidão vermelha com perfeição até agora desconhecida. Para substituir os numerosíssimos deportados que foram introduzidos na Letônia eram pessoas da Ásia que estavam muito aquém da cultura europeia, Russo e mongóis, recebem o nome e a residência dos deportados e assassinados. Seguem-se então divórcios e casamentos forçados. A coletivização das propriedades rurais tomou um aspecto alucinador e foi introduzida pouca a pouco com a hipocrisia típica do bolchevismo. Realizou-se depois por todos os meios possíveis, políticos e econômicos, para vencer a lentidão na organização dos Kolkhozes (fazendas coletivas do estado) e Sovkhozes, dirigidos por pessoas vindas da Rússia e para quebrar a resistência dos colonos, profundamente afeiçoados às suas terras, diante de um novo sistema agrícola injusto, que aniquila completamente a propriedade particular. Seguiu-se inevitavelmente a destruição do incentivo ao trabalho e à produção. Passou a reinar a estagnação econômica. A Letônia, outrora próspera, hoje é um vasto cenário de pobreza e degradação, suportando o genocídio. Os operários são escravos. As pessoas são tratadas pelos comunistas como coisas e animais. A nação letoniana e a religião são condenadas à morte neste período de terror vermelho, mais terrível e mais diabólico que o anterior. Densíssimas trevas afogaram a Letônia em nossos dias. Se Deus na sua misericórdia não ocorrer em auxilio muito especial, nenhum vestígio da verdadeira religião e dos antigos habitantes sobreviverá nesse país escravizado no pleno século XX.

IV. Conclusão

Diante deste Calvário de um povo imerso no silêncio trágico levanta-se a terrífica interrogação. Por quanto tempo continuarão os povos livres na ilusão, permitindo o pior dos colonialismos, a pior das escravaturas, permitindo que os comunistas construam a possibilidade de conquistar o mundo com mãos dos povos oprimidos pela incrível crueldade? A espantosa máquina de guerra comunista está levantada sobre os esqueletos de milhões de escravos. O mundo atual ouviu a voz do terrível silêncio tão eloquente? Parece que permanece silencioso e quase inativo, sem verdadeira força e brio.

Os sofrimentos dos “povos silêncio” não silenciam a exortam os que ainda estão livres a abrirem a tempo os olhos e perceberem a natureza dos fatos que aconteceram e estão acontecendo. Multidões perderam a vista o ideal cristão de vida, único capaz de fazer os homens coerentes, fortes, ativos, organizados, unidos. Os povos livres focaram quase insensíveis para solidarizarem-se com os povos escravizados pelos comunistas que suplicam ajuda. Esta ajuda supõe como fonte autêntica a força cristã do espirito que não pactua com o mal e que produz os frutos da caridade e a união. Esta é a forma das forças e a maior necessidade de hoje em todas as partes do mundo. Os meios humanos são necessários, mas não suficientes para a renovação dos homens e dos povos. É necessária uma volta decidida à pura e integral doutrina de Cristo, alma de todas aas reformas perfeitas e libertações autenticas. Esta é a mensagem do silêncio de um povo que não silencia.

Stanislavs Ladusãns
Prof. Dr. Pe. Stanislavs Ladusãns

Estudo sobre Mundial Letão Intelectualmente por Lauma Abramovich, Alma Mater em 2015/06/25 – Stanislav Ladusāns era filósofo letão que a maioria de sua vida passada no Brasil.

Em breve vamos ser emitida em letão pesquisador sênior da Universidade Instituto de Filosofia e Sociologia Mara Kiopa monografia dedicada à pouco conhecido letão, mas no Brasil filósofo amplamente conhecido. “Todo o tempo foi uma surpresa.” Pesquisador conta a história da Unidade, surpresas e filósofo como um tamanho pessoal.

Mara Kiope é doutor em filosofia, bem como um professor adjunto na filial Pontifícia Universidade Lateranense Instituto Superior de Ciências de Riga Religião. Tese de doutorado “A Verdade experiência probabilidade linguisticity”, escreveu a verdade sobre o problema da língua do pensador medieval Tomás Santos Thomas comparação com moderna hermenêutica fundador Hans-Georg Gadamer, Doctor of Philosophy grau adquirido em 2008. Despertar, ela trabalhou no jornalismo: o jornal “Juventude Soviética”, o que levou o departamento de política, letão Proteção Ambiental Club, o jornal “Breath” e os cristãos jornal “Step”. Doutor reconhece que as habilidades de jornalismo de investigação esgotante como informações sobre Stanislav Ladusānu tinha que olhar em diferentes lugares e cada fato verificado. “Programa Nacional de Investigação” Letonika – letão história, língua, cultura, valores “tornou possível estudar os filósofos da Letónia que na verdade é um nível europeu e que durante a era soviética não podia falar, mas não conseguiu porque os subúrbios têm os seus próprios pensadores brilhantes”, o pesquisador mínimo.

Uma vez na vida

“Ele é um filósofo em todo o mundo, mas letão não sabe nada sobre ele, provavelmente porque ele era um jesuíta,” para S. Ladusānu para uma investigação iniciada em 2008, diz M. Kiope. Ele nasceu em 1912 da Letónia, mas principalmente viviam fora das fronteiras da pátria – na Polónia, Itália, Brasil. Em 1993, a cidade brasileira do Rio de Janeiro, ele morreu. “A única coisa que Ladusānu a nível internacional, até agora falado, é Maija Kule, Universidade de Filosofia e Sociologia, Diretor do Instituto,” diz o pesquisador. M. Kule tinha falado com o investigador a focalizar o estudo em S. Ladusānu porque M. Kiopa era de conhecimento teológico católico. “Quando comecei a trabalhar sobre o estudo, eu não tinha idéia, por exemplo, o sistema educacional brasileiro”, ela descreve. Pesquisador teve de se familiarizar com uma série de materiais e encontrar correlações.

Durante a pesquisa M. Kiope domina o idioma Português de ser capaz de entender sobre informações S. Ladusānu disponível para a Internet brasileira e ler o trabalho do professor de filosofia. “Este é um europeu normal na prática científica – tudo o que você precisa em uma língua estrangeira para aprender, não importa o quão difícil pode ser”, está convencido de M. Kiope. Filósofo de suas obras escritas em Português do Brasil. “Quando você aprender Português, a língua italiana, francesa ou espanhola parece uma ninharia”, sorri o Sr. Kiope. Ela diz que agora o texto Português é capaz de ler e compreender, sem tradução.

Lotysz. Letão

Como caracterizar o “coração de toda a vida trouxe e, sempre que possível, publicamente mencionou a palavra letão” M. Kiope S. Ladusāns pátria algo que ele tinha sido incapaz de voltar a Roma de pós-doutorado, em 1946, porque não havia um regime de ocupação soviética da Letónia. Investigação sobre revelou que ele sempre enfatizou suas raízes letões. Alunos do professor e colegas brasileiros lembrando que S. Ladusāns outros ensinou hino letão, disse sobre o destino do país. Além disso, cartas escritas em amigos poloneses, tendem a apresentar o seu nome e sobrenome para escrever “Lotysz” (do idioma polonês – “Letão”). Com textos escritos à mão em polonês e traduzido pelo mesmo pesquisador reescrito para se certificar de que eles realmente não têm as palavras certas, por isso tivemos que pedir o parecer de um especialista linguagem.

Como o filósofo era um jesuíta, sua identidade das autoridades soviéticas tinham escondido, porque naquele tempo os órgãos de segurança soviéticos na Europa Ocidental estava tentando encontrar e pode ser devolvido ao território dos chamados cidadãos soviéticos. Pesquisador explica: “Na Itália, o procedimento é que a tese em que foi escrito, publicado no livro. Ladusāns 1946, defendeu sua tese, e foi noslepenota para que seu nome não aparecer em qualquer lugar, de modo que seu livro não é essa publicação. “A Universidade Gregoriana de Roma em sua tese encontrado, e também olhou, mas foi um evento único. “Foi-me dito que ele pode ser visto apenas uma vez na vida por duas horas, não escreva nada e não toque o dinheiro. Por quê?! Dissertação estava em Tomás de Aquino e filosofia de Kant, ao invés de, por exemplo, identificar os problemas específicos da Igreja, por isso continua a ser apenas uma explicação – por razões de segurança “, pensa M. Kiope.

Trabalho de investigação realizado nos vários arquivos nacionais, ler letras e periódicos, bem como tentando encontrar correlações entre eventos e festas.”Isso não soa como um filósofo do trabalho”, acrescenta M. Kiope ao contar sobre o trabalho dos arquivos. “Ao mesmo tempo, eu tive que acompanhar a evolução de seu pensamento filosófico, porque monografia diretamente sobre ele.” Ela trabalhou em Roma, Florença, Cracóvia, Vilnius, estudando os arquivos jesuítas. “Jesuítas são altamente desenvolvidos arte de documentação”, conclui o pesquisador. Informações sobre S. Ladusānu embora não fosse fácil de encontrar, porque ele não tem o seu próprio arquivo. Trabalhando com o exílio digitalizado portal despesas letão “periodika.lv” M. Kiope declarou: “Ele foi usado como um jesuíta moderno método de arquivamento – publicações. Ele escreveu sobre congressos, reuniões, e este é o seu arquivo. “Com base nos eventos descritos ea pesquisadora medidas têm sido capazes de seguir a carreira de filósofo.

Arquivos jesuítas em Roma há 70 anos slēgtības regra, portanto, não têm acesso a informações sobre S. Ladusāna período mais ativo no Brasil após a Segunda Guerra Mundial. Pesquisador diz que eles têm sido capazes de se familiarizar com o material histórico relativo às actividades de jesuítas período entre guerras letão. “Estou muito chocado com o fato de que, ao que parece, eles teriam restaurado da Igreja Ilūkste e Ilūkste ser universidade jesuíta”, diz o pesquisador, acrescentando que o jesuíta ao general tinha sido correspondência com letões jesuítas existentes quase funcionou uma estimativa, mas a ocupação, um plano não foi implementado .

Amizade com prātniecību

Ao chegar ao Brasil, S. Ladusāns feito com sucesso o pensamento filosófico corte brasileira. “A maioria tinha crescido profundamente nacional e crente na família, e ele foi capaz de compreender as necessidades dos outros,” Mr Kiope caracterizado S. Ladusāna bit identidade brasileira filosófica. “Ninguém que examina a filosofia brasileira da história, não pode prescindir Ladusāna preparado por pensadores antologias brasileiras. Ele mostra que o brasileiro tem uma peculiar filosofia, humano, original, “o pesquisador. Filósofo investimento no Brasil é grande. Três jesuíta universidade, ele tornou reconhecido nacionalmente, levou a Associação Brasileira de filósofos católicos, combinando associações semelhantes em toda a América Latina, e era americano filósofo Associação Católica (ACIF) presidente. Ele também organizou as quatro congressos filosofia cristã. O quinto era para ser realizada em Lublin, Polônia, seu envolvimento na organização de filósofos da Letónia e entrando assim a circulação acadêmica internacional. No entanto, este plano não é mais um professor S. Ladusāns não conseguiu implementar.

Antes de monografia M. Kiope publicou um pequeno estudo de S. Ladusānu intitulado “dimensão intelectual da Identidade Nacional da abertura do Professor Stanislav Ladusāna, testemunhos de vida SJ.” Ao mesmo filósofo leitura ele disse sobre a filosofia, ou seja, que ela é uma “amizade íntima humana com um prātniecību profunda”. Quais são as características aparecem em seus textos? “Mostrando que ele é o homem profundo e puro. É quase inacreditável que tais pessoas podem ser “, diz o pesquisador. “Amizade íntima com prātniecību significa não ter medo de perguntar e resolver várias questões. A este respeito, não é um tabu. . Ladusāns à procura de respostas para a pergunta do que acontece no mundo interior humano como percebido e construir “Mr Kiope menciona que S. Ladusāns idéias do século 13 que emerge da filosofia de Santo Tomás de Aquino sintetizado com a filosofia contemporânea – fenomenologia. “Ela pamatatklājums refere-se à teoria cognitiva de como o homem pode ter certeza de que o que é verdade e existência. Ele mostra como as experiências internas humanos também pode ser uma experiência de Deus. Todos os valores estão em nós, Agrupamento estas instruções: atitude humana contra si mesmo, a atitude do homem para as coisas materiais circundantes do mundo, atitudes humanas para outras pessoas e atitude humana de Deus “, descreve o Sr. Kiope. Ela acrescenta: “Na antiga trigo mourisco estavam convencidos de que a filosofia que não ajuda a curar a alma, não é necessário.”

A presença é necessária

Os trabalhos sobre o estudo realizado por M. Kiope descrito como a descoberta da América. O Brasil teve sua cultura completamente estranho, e pesquisador ouviu a sua música, tem que saber o idioma. “Ladusāns provou que uma dada situação pode ser muito a ser feito. Ele era humilde, trabalhou todo o coração.Tudo o que ele fez, no coração dedicado a independência da Letónia, e eles são vítimas invisíveis, o que levou à independência também veio para cima “, comenta o Sr. Kiope. Ela também é caracterizado por filósofos como uma personalidade “, Ladusāns também foi um grande diplomata, a capacidade de comunicar com os ditadores. Ele pediu que as pessoas o tempo todo para a direita. A maioria tinha sido extremamente educada, atenciosa, ouviu a si mesmo, ele estava feliz, mas isso não significa que ele não tem um problema. Tendo apenas que ele não pedir dinheiro! Ele sempre necessário para ajudar os outros.Ele realmente amava a Deus e as pessoas. Os antigos gregos disseram que o cultivo das virtudes, deve estar humano. Não é possível fazer progresso em filosofia, quando palavras e ações são diferentes. “

“Livro de presença Ladusānu Frankl”. Vida da Letónia e jesuíta brasileiro filósofo Stanislav Ladusāna e trabalho “, a fim de que a presença humana faria cultura letã. Eu acho que a geração mais jovem para lê-lo seria muito interessante “, diz o pesquisador. Monografia examina sua fé e relacionamento da mente, filosofia e teologia. “A presença Ladusāna agora, 22 anos depois de sua morte, é necessária. Ladusāns revelam que os letões são caracterizados não só daudzpieminētā identidade camponesa, mas também a identidade global do intelectualismo “, está convencido de M. Kiope.

O ciclo de publicação “Study”

Universidade da Letónia é a maior instituição de ensino superior em letão, e concentra-se na liderança de estudo e de investigação potencial dos naturais, ciências humanas e sociais do nosso país. Além disso, qualquer pesquisador da Universidade descoberta, realização e conquista no campo da ciência, impulsionado pela Alma Mater em direção ao objetivo – para se tornar uma importância europeia e global internacionalmente reconhecido de ciência da universidade. Para se ter uma idéia do que fazer e atingiu os pesquisadores das faculdades e institutos da universidade, no final de 2012 começou a série publicação “Investigação”. A seguir mensal letão University Online publicar a história de um dos estudos.

Potencial científico da Letónia, da Universidade contribui para a economia da Letónia e para o desenvolvimento sustentável da sociedade!

A CRÍTICA TRIDIMENSIONAL DO CONHECIMENTO DO REAL, Pe. Stanislavs Ladusãns. SI.

A CRÍTICA TRIDIMENSIONAL DO CONHECIMENTO DO REAL

Stanislavs Ladusãns
Prof. Dr. Pe. Stanislavs Ladusãns. SI. 

Prof. Dr. Pe. Stanislavs Ladusãns. SI. 

Pontifícia acadêmica Santo Tomás de Aquino (ROMA) – Associação Católica Interamericana de filosofia – ACIF.

Diagramação e Rescrição do Arquivo de artigo digital, ISAÍAS KLIPP. Arquivo Digital disponível em: LINK, acesso em  19 de Dezembro de 2015.

Partindo da fenomenologia […]  Continuar lendo A CRÍTICA TRIDIMENSIONAL DO CONHECIMENTO DO REAL, Pe. Stanislavs Ladusãns. SI.

Mário Ferreira dos Santos – Lógica e Dialéctica, Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais – Sinopse 02.

Mário Ferreira dos Santos - Lógica e Dialéctica, Mario Ferreira dos Santos.
Mário Ferreira dos Santos, Lógica e Dialéctica – Link: Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais Catalogo.

Uma das características da filosofia moderna é, sem dúvida, a nova colocação do problema lógico, sobretudo depois da crítica kantiana e das contribuições dialécticas de Hegel.

Apesar de continuar ausente dos currículos oficiais, relegada ainda a plano secundário, e sofrendo da férula pejorativa dos que a desconhecem ou que dela têm uma visão caricatural, não é possível, ante o embate dos temas sobre o valor das categorias lógicas, continuar desconhecendo a imensa contribuição da Dialéctica, sobretudo depois que ela penetrou no campo da ciência.

Neste livro, onde estudamos a Lógica Formal, a Dialéctica Geral, e a nossa Decadialéctica, obedecemos a certas normas sobre as quais desejamos desde logo chamar a atenção. Em primeiro lugar, não nos ocupamos pormenorizadamente da Lógica Formal, porque, neste sector, o que já se tem realizado é definitivo. Pouco há a acrescentar aqui. É esta a razão que nos levou a apenas abordar em linhas gerais os aspectos mais importantes.

É verdade que a lógica oferece hoje uma problemática e uma temática novas, em que os estudos da logística e as contribuições de tantas correntes filosóficas, como por exemplo a análise fenomenologista, com Husserl à frente, oferecem novas possibilidades para, dentro ainda do campo formal, investir sobre novos veios inexplorados e efectuar algumas revelações insuspeitadas.

Trataremos desses temas nos volumes ãe “Temática e Problemática Filosóficas”, sob o ângulo decadialéctico. Quanto à dialéctica, abordamos o aspecto geral, dentro das contribuições mais conhecidas. É verdade que a temática e a problemática dialécticas crescem cada dia, pois, disciplina nova, em formação, tem à sua frente inúmeros aspectos, que exigem respostas às perguntas que constantemente se colocam.

No decorrer deste livro, verificará o leitor que a Dialéctica Geral, que abrange, em linhas amplas e globais, tema tão importante, está a exigir a contribuição de novas investigações em outros campos, como os que decorrem da dialéctica da intelectualidade nas suas polarizações operatórias do racional, e as da intuição meramente intelectual. E como o nosso processo de raciocínio não pode prescindir da influência dos esquemas da sensibilidade, esquemas do sensório-motriz, e também da parte somática, que tanto influem em nossas perspectivas, e que a moderna psicologia está pondo em evidência, há ainda reconhecer a inseparabilidade funcional da parte afectiva de nosso espírito, cujas raízes também se afundam nessa parte somática, e que, por sua vez, revela o funcionamento de todas as construções esquemáticas simpathéticas e antipathéticas, gênese da simbólica, que não podem ser desprezadas.

Além disso, todos os que se interessaram vivamente pelo estudo dialéctico sentem a actualidade do pensamento hegeliano, de que a filosofia, em suas linhas gerais, não pode mais dele afastar-se, pois a perspectiva dialéctica, por ser englobante, includente, por conter em si os opostos, os diferentes, as distinções, invade, por isso mesmo, o campo da filosofia e obriga à construção de uma visão geral do mundo, uma verdadeira cosmo-visão, como implica a necessidade de revisão de todas as conquistas filosóficas.

Dessa maneira, a dialéctica se torna filosofia, e a filosofia, pela sua influência, torna-se dialéctica. Ora, tais temas estão a exigir trabalhos especiais que coordenem o que já se tem construído, embora dispersamente, numa estructura dialéctica.

Neste volume interessamo-nos pelos aspectos gerais, incluindo uma metodologia que a torne prática, sob o nome de decadialéctica, construção por nós realizada, com o intuito de utilizar tudo quanto há de aproveitável neste setor, para um manuseio mais hábil por parte dos estudiosos da matéria. Contudo, os temas que se refiram à dialéctica noética, como à dialéctica pathica, à dialéctica simbólica e à dialéctica tensional global e sintética, serão objecto de outros trabalhos.

No entanto, como verá o leitor, a metodologia, que neste volume oferecemos, já é suficiente para o empreendimento de amplas análises, sem necessidade de desprezar a contribuição da lógica, sempre aproveitada, mas com o reconhecimento de seu papel, que, embora importante, é parcial, e consequentemente deficiente na apreciação dos factos. A dialéctica pretende ser o que apenas é: uma lógica da existência, uma lógica do devir, portanto uma lógica que maneja com as oposições dialécticamente consideradas, sem excluir a lógica formal.

MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS, Lógica e Dialéctica.

Mário Ferreira dos Santos – Lista de Aulas, Áudios.

1. «Mário Ferreira Dos Santos – A luta pelo Poder»

2. «Mário Ferreira Dos Santos – Da Abstração e da Metafísica»

3. «Mário Ferreira Dos Santos – Estudos sobre os Pensamentos»

04. «Mário Ferreira Dos Santos – Exemplos de Filosofias nos diversos períodos da Historia»

05. «Mário Ferreira Dos Santos- Filosofia Concreta»

06. «Mário Ferreira Dos Santos- Filosofia Especulativa E Filosofia Prática»

07. «Mário Ferreira Dos Santos – Filósofos Portugueses»

08. «Mário Ferreira dos Santos – Infinito»

09. «Mário Ferreira Dos Santos – Aula Explanativa Mário Ferreira Dos Santos (MFS).»

10. «Mário Ferreira Dos Santos – Neopositivismo E Filosofia Concreta»

A “Filosofia Concreta” – retirado de: Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais de Mário Ferreira dos Santos.

 

10801561_751045994982320_5676299013818473070_nChamamos de filosofia concreta, em oposição à filosofia predominantemente abstratista, o nosso modo de filosofar, no qual devotamos o máximo cuidado em retornar ao conjunto, do qual faz parte, todo aspecto abstraído, separado mentalmente, e que se dá na mesma realidade. Contudo, este seria apenas um aspecto metodológico do que chamamos de filosofia concreta, pois esta realiza uma construção, fundada em teses, que são demonstradas apoditicamente, no sentido Kantiano; ou seja, através de juízos universalmente válidos.

O ponto de partida da filosofia concreta são os seguintes juízos universalmente válidos:

Alguma coisa (algo) há; o nada absoluto total não há; alguma coisa não há (nada relativo) não contradiz que alguma coisa há.

Partindo-se de tais postulados, devidamente demonstrados, verifica-se que, obedecendo a rigorosas ilações lógico-dialéticas, é possível construir toda uma visão rigorosamente apodítica, e alcançar a várias centenas de postulados absolutamente verdadeiros, que permitem, com eles, estabelecer o ponto de partida para um filosofar seguro e liberto do axioantropológico, bem como servir de ponto de referência e de aferição para julgar da validez de qualquer posição filosófica. Grande parte dos postulados expressos no decorrer do processo filosófico humano são válidos e se identificam com os que decorrem rigorosamente da filosofia concreta. E pode-se dizer ainda mais, que o pensamento dos maiores filósofos, aqueles que revelaram a mais sólida mens philosophica se identifica muitas vezes com ela.

Seus postulados fundamentais tem de ser aceito por todos, inclusive pelos sistemáticos, pois estes partem inevitavelmente de uma afirmação. O céptico de certo modo afirma porque afirma uma recusa apenas. Imaginemos que ele negue a tese do dogmatismo moderado de que “nós, por introspecção, somos cônscios de que em nós existe um estado de certeza, de dúvida, ou de opinião, pois ora temos certeza (alguns), ora duvidamos, ora opinamos. Esses estados se dão.” Contudo, o céptico sistemático suspende seu juízo, considerando que nada pode afirmar. A certeza, para os dogmáticos moderados, é a adesão firme do entendimento ao objeto conhecido, fundada em um motivo evidente, que exclui todo temor de errar. Há verdade lógica quando há conformidade entre o esquema eidético-noético com o qual conhecemos e a realidade da coisa conhecida. E diz-se que há verdade metafísica ou ontológica quando a coisa conhecida é adequada ao nosso esquema. A verdade ontológica de um juízo decorre da perfeita adequação do que se predica ao sujeito, cuja relação ou é necessária ou é da própria natureza da coisa. Assim a prioridade indica a anterioridade de algo em vetor ou ordem ou espécie a outro do mesmo vetor ou ordem ou espécie, necessariamente. A anterioridade está, necessariamente, inclusa na estrutura ontológica da prioridade. Assim qualquer ato do espírito é, em si, afirmativo, porque onde há uma ação, há afirmação, embora a ação seja negadora que, neste caso, é a afirmação da não presença, da ausência de alguma coisa ou da recusa de algo.

Os dogmáticos moderados fundam em geral sua posição na certeza, que é humana. E esta surge para eles apoditicamente (apoditicidade lógica) pela reflexão ou pela observação subjetiva, que revela muitos atos psíquicos heterogêneos, entre eles os representativos, nos quais se distinguem vários estados como: a dúvida- quando não damos nenhuma adesão firme do entendimento e a mente permanece suspensa com temor de erro; a opinião – quando há adesão da mente, mas com a admissão de poder estar em erro e de ser possivelmente verdadeira a opinião contrária; a certeza, quando há essa adesão da mente sem temor de errar.

Ora, a verdade lógica está no juízo, enquanto a verdade ontológica está na essência da própria coisa. A certeza ontológica é firme. O que tem prioridade é de certo modo anterior. Se a prioridade é cronológica, tem anterioridade no tempo; se axiológica, tem-na como valor, etc. Na certeza ontológica há uma evidência intrínseca. Colocando-nos do ângulo antropológico, o que engendra a certeza na mente deve ser um motivo supremo, o último porque de toda certeza. E esse motivo supremo deve ter as seguintes condições:

a) Ser primário na ordem cognoscitiva, de maneira que não suponha outro do qual dependa. Consequentemente, será indemonstrável, e o mais fácil de ser conhecido por todos.

b) Terá de ser universal, isto é, há de estender-se a todos os conhecimentos certos, e deve estar incluído em todos os outros critérios.

c) Há de ser necessário, de maneira que sem ele não tenham valor os outros motivos de certeza.

d) Há de ser o último, no sentido de que nele venham finalmente resolver-se todos os outros.
O que tem tais condições é a evidência objetiva. Assim a evidência objetiva de que o todo é quantitativamente maior que cada uma de suas partes é suficiente para obrigar qualquer mente a assentir firmemente com a verdade que tal princípio encerra.

A certeza é subjetiva, mas a evidência é objetiva. É a segunda que engendra a primeira. A luz da evidência é bastante para si mesma e nada mais se poderia pedir, porque é ela suficiente. É evidência que encerra em si todos os requisitos anteriormente apontados. Poder-se-ia objetar que a evidência pode levar ao erro. Se alguns são levados a evidências, que são erradas, deve-se a não terem usado devidamente a razão. Não é essa, porém, a evidência que empregamos para assegurar a validez apodítica das teses. Se na verdade lógica há a adequação entre o intelecto e a coisa; na verdade ontológica se dá a da coisa com o intelecto. Em ambas há portanto a adequada assimilação entre o esquema noético-eidético e a coisa. Numa, daquela como esta, noutro, desta com aquele. Mas a verdade dialético ontológica exclui o esquema eidético-noético do homem. Não parte dele, mas da razão do próprio ser. Quem dá a solidez aos nossos esquemas noético-eidéticos é a razão ontológica, é o logos do ontos.

A prioridade da afirmação é necessária, e ela afirma que alguma coisa há. Essa verdade dispensa adequação. É verdade em si mesma. O que construímos noeticamente vale na proporção que corresponde ao que é ontologicamente verdadeiro. Nossa verdade é dada pelo conteúdo ontológico, por isso a lógica tem de ser subordinada à análise ontológica. É o fundamento ontológico que dá solidez e validez ao lógico, e não o inverso. A validez das idéias está na proporção em que o ontológico lhes dá conteúdo. E por essa razão pode-se daí partir para toda uma revisão dos juízos lógicos.

Nossos esquemas (species) constituem o que, pelo qual, é conhecido o objeto, não o que é conhecido (species est id objectum cognoscitur, non id quod cognoscitur). Esta afirmação escolástica é de grande valor. O esquema eidético-noético expressado representa o objeto como o entendemos. Mas a validez de tais esquemas é dada pela da dialético-ontológica. Ao partirmos do lógico, só deduzimos o que já está nas premissas.. Por essa razão, apenas com o uso da lógica pode o homem perder-se no erro. Mas na captação ontológica há outro modo de proceder. Por meio dela não extraímos o que pomos, mas o que já está na razão da coisa. Desse modo pode o ser humano errar quando usa a lógica, não quando usa a via dialético-ontológica.

Podiam-se apresentar argumentos contra os antípodas, porque todos os corpos pesados caem, e se houvesse seres abaixo de nós, cairiam, mas ontologicamente nada impediria que houvesse antípodas. Posteriormente se conclui, graças aos conhecimentos científicos,que os corpos pesados caem em direção ao centro da terra. Nesse enunciado os antípodas não são mais absurdos. São estes motivos como tais, que nos levam a afirmar que a via dialético-ontológica supera a via lógica para alcançarmos a evidência, sem que se despreze o valor inestimável que esta oferece para o filosofar.

O nosso intuito de matematizar no bom sentido a filosofia, é que devemos sempre submeter as premissas lógicas à análise ontológica por nós preconizada, a fim de evitar os erros que a deficiência humana provoca. E eis uma justificação a favor de nossa posição filosófica. Ela se funda no ontológico, e este é a realidade última da coisa, é a realidade fundamental da coisa. Não surgem as estruturas ontológicas de elaborações mentais; não são impostas pela nossa mente, mas se lhe impõem.Elas são válidas de per si, e justificam a sua própria validez, mostrando-se a nós. O que construímos logicamente temos de demonstrar, mas o fundamento dessa demonstração está na mostração da raiz ontológica. Por isso a via dialética-ontológica é concreta, e só pode levar à construção de uma filosofia concreta.

Não seguimos o caminho usado pelos filósofos de todos os tempos, sem que tal impeça que muitas das nossas afirmativas e das teses por nós demonstradas coincidam com o pensamento exposto por outros. Não é porém o pensamento alheio que fundamenta a nossa posição, é o nosso método dialético-ontológico que lhes fundamenta os postulados. A filosofia concreta não é assim uma construção sincrética do que há de mais seguro no filosofar. Mas o que há de mais seguro no filosofar, através dos tempos, é o fundamental concreto, no sentido que damos. Forma assim uma unidade, e a sua validez é dada por si mesma. Para mostrar a diferença entre o filosofar submetido apenas ao lógico, e o filosofar dialético-ontológico, podemos apresentar diferenças. Não devemos confundir a gênese noética do conceito com o conteúdo lógico, nem com a sua estrutura ontológica. Tomemos, como exemplo, o conceito de infinito.

Combatendo os argumentos escotistas, os suarezistas repelem a afirmativa deste de que a primeira diferença de Deus é constituída pela infinitude. Para estes, Deus é o ente simpliciter infinitum, absolutamente infinito. Ora, tal não procede, afirmam, porque infinito é algo negativo, e o negativo funda-se em algo positivo. E se fundado em algo positivo, este seria a diferença primeira e constitutiva de Deus. O infinito seria pois um acidente e não poderia constituir a diferença primeira.

Pode-se através de uma análise dialético-ontológica responder: segundo o nosso modo de conceber, a gênese do conceito de infinito surge da negação da infinitude, in-finito. Mas se etimologicamente o conceito é negativo, não o é em sua estrutura ontológica, como não é o conceito de Não-eu, o conceito de átomo (átomos), porque se referem a conteúdos positivos. Mas o conteúdo positivo de infinito é a absoluta independência: o ser absolutamente necessário. Se a mente humana percorre um longo caminho para alcançar o conteúdo concreto-ontológico do conceito de infinito, o seu verdadeiro conteúdo é o final, e não o que é dado aos primeiros ensaios. Neste caso, se tomarmos infinito em sentido lógico,o argumento dos escotistas é inaceitável, mas se tomarmos em seu conteúdo ontológico, é válido.

O céptico poderá dizer que nada sabe sobre o que há, mas terá de concordar que há alguma coisa, e também o agnóstico e o relativista; pois para este último há pelo menos a relação, e o ser é para ele relativo. Ademais a relação é alguma coisa e não nada. É uma entitas, uma entidade.

Os principais argumentos cépticos, na criteriologia podem ser simplificados em dois: um a priori e outro a posteriori. Aprioristicamente afirma a impossibilidade de um critério seguro e inapelável da verdade por parte da razão, porque esta terá de demonstrar, não por si, mas por outrem, sendo impossível alcançar um primeiro critério, base certa e segura de toda demonstração. O defeito fundamental dessa objeção consiste em afirmar, gratuitamente, que tudo é demonstrável e que nada poder-se-á ter por certo e seguro sem uma demonstração. Como a primeira deveria ser certa e segura e como exige demonstração, essa seria indefinidamente levada avante. Estamos no dialelo. Mas já evidenciamos que não se prova apenas demonstrando, mas mostrando. Há um critério de evidência,que não necessita de, nem pode ser justificado por outro, e que se justifica por si mesmo: alguma coisa há. Esta verdade é ontologicamente perfeita, porque a sua proposição encerra em si a verdade. Não há possibilidade de uma ficção absoluta, porque a sua mera enunciação afirma que alguma coisa há. Na proposição alguma coisa há, o sujeito é suprido perfeitamente pelo predicado. Essa evidência é objetiva. Se é o homem que a pronuncia, a evidência subjetiva apoia-se numa evidência objetiva. Alguma coisa há para que o homem possa afirmar que alguma coisa há. O segundo argumento dos cépticos está no fato de nos enganarmos quanto a verdade das coisas. E por que nos enganamos algumas vezes, concluem que nos enganamos sempre. Quod nimis probat, nihil probat (o que prova em demasia não prova) afirmam os escolásticos, e com fundamento, porque a conclusão desse argumento aposteriorístico dos cépticos é dogmático, exageradamente dogmático, além de estender a conclusão além das premissas.

Que nos enganamos algumas vezes é procedente a afirmativa, mas que nos enganamos sempre é uma afirmativa que excede e refuta o próprio cepticismo, pois saberíamos com certeza, como verdade, que sempre nos enganamos. No entanto alguma coisa há refuta que nos enganamos sempre, porque o próprio engano afirmaria que “alguma coisa há”. Nossa tese, portanto, é válida também para os cépticos.

O cepticismo tornar-se-ia ainda mais absurdo se negasse que alguma coisa há, pois a sua negação seria a afirmação de que alguma coisa há. Gonzalez sintetiza sua objeção ao cepticismo com estas palavras, onde mostra a contradição fundamental que o anima: “ou sabes que não sabes nada, ou não o sabes. Se não o sabes, porque o afirmas? E se sabes, já sabes algo, e é prova de que se pode saber alguma coisa.”

Repete, assim, as palavras de Santo Agostinho: “Quem pode duvidar que vive e entende, e que julga? se duvida, vive; se duvida, entende que duvida; se duvida é porque quer ter certeza; se duvida, pensa; se duvida, sabe que não sabe; se duvida, julga que convém não prestar um assentimento temerário.” (De Trinitate, lib, X, cap. 10, n. 14: XV, 12).

Ademais o cepticismo aplicado à prática seria destrutivo e tornaria impossível a vida humana, pois o céptico, para o ser integralmente, teria de excluir toda prática. Tal não impede que haja um cepticismo até certo ponto benéfico para o progresso do saber humano. Paira aqui uma grande polêmica na filosofia. Conviria estabelecer os limites desse cepticismo relativo, pois a dúvida metódica de Descartes deu frutos “ácidos” para a filosofia, embora não fosse essa a sua verdadeira intenção. Entre os escolásticos modernos como Sentroul, Monaco, Noldin, Maquart, Geny, Jeannière, Guzzetti, Maréchal, Montagne, Jolivet, Noel, d’Aquarparta, Kleutgen, Liberatori, Palmieri, etc., admitem-na apenas metodicamente.

A posição agnóstica é fundamentalmente céptica e padece dos mesmos defeitos do cepticismo e a sua refutação se faz pelo mesmo caminho. Já o relativismo tem encontrado na época moderna seus cultores. Protágoras é considerado o seu fundador e a tese fundamental consiste em afirmar que a nossa verdade é relativa ao sujeito cognoscente. Não conhecemos o objeto como ele o é em si, afirma, bem como nega possamos adequadamente distinguir entre cognição absolutamente verdadeira e cognição falsa, já que a coisa não pode ser captada, senão segundo as nossas medidas. Se há um relativismo absoluto, há também um moderado, que afirma que nossas verdades são relativas ao sujeito cognoscente, segundo o seu modo de conhecer, aceitando portanto que há um conhecimento verdadeiro do que a coisa é em si, mas proporcionado ao sujeito cognoscente. Ora, quer o agnosticismo, quer o relativismo universal como o moderado não podem por em dúvida a tese fundamental da filosofia concreta, pois se o agnóstico declara não podermos saber o que a coisa é em si, não nega que algo há e, por sua vez, o relativismo afirmaria que a relação há, e que a relação não é um puro e absoluto nada. Os relativistas intelectualistas, como os idealistas e os fenomenistas, que chegam a negar a existência da coisa em si, e apenas afirmam a das nossas idéias e representações não negam, consequentemente, que algo há. No fundo o relativismo é céptico e sobre ele cai a mesma refutação. Pode-se, de certo modo, considerar o agnosticismo um relativismo fenomenístico, sobretudo o agnosticismo científico, bem como também o psicologismo e o historicismo, o pragmatismo, pois todas essas doutrinas fundamentam-se nos mesmos postulados.

O idealismo, em geral, ao afirmar que o objeto conhecido é totalmente imanente ao cognoscente, chegando até à negação do mundo exterior, e o idealismo fenomenístico afirmam, portanto, que algo há. Se os acosmísticos negam a existência real do mundo corpóreo, não afirmam uma negação absoluta de que algo há, nem os fenomenísticos, ao afirmarem que nosso único conhecimento é aparente, nem os idealistas monísticos, nem os pluralistas negam tal postulado. O idealismo é,em suma, relativismo e consequentemente céptico.

Em oposição ao idealismo, poder-se-ia dizer que o intelecto humano é naturalmente ordenado à verdade e que a verdade objetiva existe independentemente da cognição humana. O que, no entanto, fica afirmado ante essas posições é que algo há. Também entre os filósofos anti-intelectuais como Bergson, Nietzsche e os existencialistas, que afirmam serem insuficientes os meios intelectuais de conhecimento, e que a realidade concreta nós a atingimos através de uma experiência vital e alógica, apesar da fraqueza dos seus postulados, aceitam também que algo há.

Para a fenomenologia moderna não se nega validez ao postulado fundamental da filosofia concreta. Restaria apenas a posição niilista absoluta que negaria terminantemente que algo há, e afirmaria que nada absolutamente não há.

Tudo seria mera e absoluta ficção. Mas tal posição ainda afirmaria que a ficção é algo e, consequentemente, que algo há. Portanto, sob nenhum dos aspectos do filosofar, sob nenhum dos seus ângulos, em nenhuma das posições filosóficas nega a validez do postulado fundamental da filosofia concreta, o que prova também a sua universal validez.

Poder-se-ia ainda discutir a validez dos conceitos alguma coisa (áliquid) e o haver (há). Mas que apontam tais conceitos? Áliquid diz-se do que tem positividade de qualquer modo, do que se afirma. Haver indica presença simplesmente. O predicado afirma que se pode predicar a presença de algo (ser, devir,ficção, não importa), e que essa presença tem uma positividade, pois não se pode predicar a absoluta ausência.

Entre os conceitos de presença e de ausência total e absoluta, a mente não pode vacilar, pois a afirmação da segunda seria negada pela própria afirmação. Consequentemente prova-se ainda que é verdadeiro o postulado: é absolutamente falsa a predicação da ausência total e absoluta. Consequentemente: é absolutamente verdadeira a predicação de uma presença.

Tem assim o filosofar um ponto arquimédico de partida, sobre o qual nenhuma objeção pode ser feita; ou seja: há um juízo universalmente válido e absolutamente verdadeiro, sobre o qual se podem construir os fundamentos de um filosofar coerente. Fundada nesses postulados, apoditicamente demonstrados, a filosofia concreta constrói, de modo unitário, a visão geral concreta filosófica com validez, por ser rigorosamente encadeada em teses universalmente válidas.

Em suma: a filosofia concreta opõe-se à filosofia da doxa (a filodoxia), das meras asserções, e pretende instaurar uma meta-matematização da filosofia, fundando-se não em juízos assertóricos, mas em juízos necessários, portanto apoditicamente válidos.

Síntese final – Procede distintamente a filosofia concreta em relação ao significado dos termos, de modo outro que o proceder clássico, no qual partindo-se do termo buscam-se as suas noções. Prefere-se, naquela, partir primeiramente das noções para, depois, buscarem-se os termos apropriados.

É comum tornarem-se as famosas polaridades aristotélicas, como ato e potência, forma e matéria, essência e existência e substância e acidente, e procurar-se o nexo de tais conceitos. Ao examinarmos a controvérsia na filosofia em torno de tais conceitos, e das diversidades a que chegam vários filósofos, que partem do aristotelismo, como se verifica em todo o processo da escolástica, chegamos à conclusão que se impõe uma revisão das polaridades aristotélicas. Não que a filosofia concreta queira fazer o que é mais do sabor dos eruditos exegetas, que desejam penetrar nos verdadeiros sentidos que emprestou a tais termos o grande Estagirita; providência própria de eruditos e exegetas, útil, sem dúvida, aos que desejam, na filosofia, ser repositório da maior soma de conhecimentos vários.

Como essa não é a nossa finalidade, dispensamos essa providência.. Procuramos sim, saber qual a única maneira concreta, ou seja, apoditicamente válida no campo ontológico, pela qual se pode considerar substância e acidente, forma e matéria, ato e potência, essência e existência. Como a consideraram este ou aquele filósofo, quais as opiniões que foram apresentadas por um ou outro, quais as distinções que se podem estabelecer entre um pensador e outro pertencem ao campo da história do pensamento filosófico, não ao da filosofia concreta, que segue outra orientação. Não se trata mais de opinar na filosofia.

Trata-se de estabelecer a única maneira ontologicamente verdadeira de expressar alguma coisa, mas fundando-se a afirmativa em bases apodíticas, com o rigor que desejamos dar à filosofia.

Em toda a ciência opera o homem com a luz natural da sua inteligência. Dispõe ele da sua mente e dos processos judicativos para, empregando determinados meios, alcançar um conhecimento. Se esses meios são os naturais, temos a ciência natural; se apenas trabalha com a luz natural da sua inteligência,temos a filosofia. A teologia como ciência das coisas divinas, se é fundada na luz natural da inteligência, constrói a teologia natural e a racional, se ademais se funda na revelação, temos a teologia religiosa. A filosofia concreta não se funda numa revelação. Não é, portanto, uma religião. Ela se funda na luz natural da inteligência e busca concrecionar os conteúdos eidéticos que a nossa inteligência é capaz de captar, conexionados com rigor ontológico. Por outro lado não é uma sistematização de opiniões mais ou menos bem concatenadas. É avessa desde a base e fundamentalmente ao opinativo, ao meramente assertivo. Busca-se nela alcançar conteúdos eidéticos rigorosamente apodíticos, em base estritamente ontológica. É, assim,uma metafilosofia, porque alcançados tais fundamentos rigorosos é capaz não só de fazer a crítica precisiva do pensamento vário na filosofia, como também de estabelecer a procedência ou não de qualquer tese esboçada através dos tempos. Não é, desse modo, um filosofar eclético, porque no ecletismo há uma seleção, uma escolha de postulados coordenados numa construção. Ela realiza sucessivamente a captação do que se dá simultaneamente. Busca reunir pelas operações mentais o que é rigorosamente já dado.

Há uma verdade ontológica e sobretudo dialética, no sentido que se deve empregar o termo, que se nos revela parcial e sucessivamente. Todos os juízos já estão virtualmente contidos no juízo fundamental de que parte toda filosofia concreta: “alguma coisa há”.

O trabalho de desdobramento, de desvelamento posterior se deve apenas à impossibilidade de nossa mente captar simultaneamente todas as verdades já contidas nos juízos virtuais para nós, contidos na verdade daquele juízo, já que a nossa mente é discursiva.

A simples captação do ser, que é primordial em toda e qualquer experiência de um ser consciente e inteligente, encerra em si toda a gama judicativa possível. A verdade já está dada de todo o sempre. Essa é também a grande revelação. Não porém uma revelação expressada claramente à mente humana, mas um desafio que se lhe faz para que ela busque e encontre. É com a construção de um método proveitoso, como o é a dialética concreta, que nos é possível construir a filosofia concreta.

E se nos diversos pontos ela se identifica com esta ou aquela posição, é que esta ou aquela tem fundamentos concretos. Tomada como um todo, é ela obra original, embora não seja, sob certos aspectos, em suas particularidades. Nem o poderia ser. A nossa capacidade criadora de ficções não cabe ao campo da filosofia, mas ao da estética. Na filosofia não criamos ficções. Nesta, desvelamos, descobrimos verdades. Os que procederam de outro modo não foram filósofos, mas artistas.

Impõe-se separá-los, tais artistas, de uma vez, para que o meramente assertivo, de uma vez por todas, seja expulso do âmbito filosófico. Se querem fazer estética que o façam no campo da arte, da literatura, não no da filosofia! Já bastam as inúmeras construções precipitadas ou mal acabadas, que geraram tantos erros, tantas confusões e tantas personalidades famosas que gozam de um prestígio que não merecem.


Imagem Roberto Ferri, contemporaneo, Perpetua
Mário Ferreira dos Santos, Imagem: Roberto Ferri, Contemporâneo. 

Há duas maneiras de Filosofar: …
1ª – Deixar o pensamento divagar através de meras opiniões
2ª- ou fundá-lo em juízos demonstrados à semelhança da matemática. 

Esta segunda maneira é a usada nesta obra, aqui à filosofia não é abstrata, mas sim concreta, fundada em demonstrações rigorosas. Trata-se de um novo modo de visualizar a filosofia.

A Filosofia Concreta não é um acumulado de aspectos julga-dos mais seguros e sistematizados numa totalidade. Ela tem sua existência autônoma, pois seus postulados são congruentes e rigorosamente conexionados um aos outros. O valor do pensamento exposto neste livro não se funda no de autoridades várias da filosofia.

A autoridade, e a única que é aceita, é a dada pelo próprio pensamento, quando em si mesmo encontra a sua validez, a sua justificação, pois cada uma das teses, expostas e apresentadas neste livro, é demonstrada pelas diversas vias pensamentais que são propostas.

Mário Ferreira dos Santos TESE 1
TESE 1 – Alguma coisa há, e o nada absoluto não há.

O Ponto Arquimédico

Há um ponto arquimédico, cuja certeza ultrapassa ao nosso conhecimento, independente de nós, e é ôntica e ontologicamente verdadeira. Alguma coisa há…

Partamos da análise dessa verdade incontestável. Poderia não surgir o homem, e não haver um ser inteligente que captasse pensamentos, mas há um pensamento real, absolutamente seguro, certo, verdadeiro: alguma coisa há…

Pode não haver o homem e o mundo. Tudo isso é contingente, e poderia não ser. Mas alguma coisa há, pois do contrário teríamos o vazio absoluto, a ausência total e absoluta de qualquer coisa, o nada absoluto.

Ou alguma coisa há, ou, então, o nada absoluto. O nada absoluto seria a total ausência de qualquer coisa, absolutum, des-ligada de qualquer coisa, o vazio absoluto e total. Neste momento, podemos ser a ilusão de um ser, podemos duvidar de nossa experiência e da do mundo exterior, porém não podemos afirmar que nada há, porque a própria dúvida afirma que há alguma coisa, a própria ilusão afirma que há alguma coisa, e não o nada absoluto.

Quando dizemos há alguma coisa, afirmamos a presença do que chamamos de “ser”, embora ainda não saibamos o que é ser, em que consiste, qual a sua essência, o que dele podemos dizer.

Vê-se, assim, que alguma coisa há é contraditado peremptoriamente pelo nada absoluto. Afirmar que há o nada absoluto é o mesmo que afirmar que não há qualquer coisa em absoluto. Mas, note-se, em absoluto, porque, se admito que alguma coisa há, não se dá contradição em admitir-se que alguma coisa não há, pois pode haver alguma coisa, esta ou aquela, e não haver alguma coisa, essa ou aquela outra.

Chamaremos ao primeiro nada de nada absoluto, e ao segundo de nada relativo. Se ao nada absoluto contradiz o “alguma coisa há”, o nada relativo apenas a ele se opõe. Não o exclui.

Portanto, ambos podem dar-se, podem pôr-se, positivos ambos, embora de positividade inversa.

Entre o “alguma coisa há”, e “há o nada absoluto”, não pode haver a menor dúvida, e a aceitação do primeiro surge de um ato mental, de plena adesão e firmeza, sem temor de errar.

Onde poderia estar o erro? Se afirmo que alguma coisa há, o único erro poderia estar em não haver nenhuma coisa, o que é negado até pelo meu ato de pensar, até pelo mais cético ato de pensar, pois se nada houvesse não poderia ter surgido sequer a dúvida.

Portanto, a afirmativa de alguma coisa há é mostrada apoditicamente, assim como a impossibilidade do nada absoluto também o é, pois sendo verdade que alguma coisa há, o nada absoluto absolutamente não há; o nada absoluto é impossível de ser porque alguma coisa há.

Portanto, está demonstrado de modo apodítico o primeiro postulado da “Filosofia Concreta”:

TESE 1 – Alguma coisa há, e o nada absoluto não há.

Mário Ferreira dos Santos TESE 2
TESE 2 – O nada absoluto, por ser impossível, nada pode.

O nada absoluto seria total e absoluta ausência de ser, de poder, pois como o que não é, o que não existe, o que é nada, poderia?

Para poder é mister ser alguma coisa. Portanto, o nada absoluto, além de não ser, é impossível, e nada poderia fazer.

Porque se pudesse fazer alguma, era alguma coisa, e não nada absoluto. Mas, já vimos que há alguma coisa e que não pode haver o nada absoluto; portanto, nada podemos esperar que dele provenha, porque não é nada.

O termo res, em latim (coisa) do verbo reor, significa pensar ou crer. Coisa seria assim o [algo] em que se pensa ou se crê.

E quer tal termo referir-se ao ser concreto tempo-espacial, do qual o homem tem uma intuição sensível, ou a tudo quanto não se pode predicar o nada absoluto. O termo alguma, cuja origem latina, aliquid, nos revela o sentido de aliud (outro) e quid (que), outro que se distingue, que não se confunde, que é “algo” (nota-se a expressão: filho de algo, fidalgo, que não é qualquer, mas de alguém que se distingue), mostra-nos, afinal, que se entende por alguma coisa tudo quanto se põe, se dá e do qual não se pode dizer que é um mero nada.

Ora, o nada absoluto não se põe, não se dá, não tem positividade: é pura negação, a ausência total de alguma coisa, do qual se pode dizer que é nada, nada.

Também o termo entitas, entidade, em seu logos (em sua razão intrínseca), significa algo ao qual não se pode predicar o nada absoluto. E tudo o que não é nada absoluto é algo (áliquid), uma entidade (entitas).
Afirmar que “alguma coisa há”, é afirmar que, a tudo quanto não se pode dizer que é nada absoluto, é algo que “acontece”, põe-se, dá-se.

Se não há alguma coisa, teríamos então a ausência total de qualquer coisa que se dá, põe-se. Nem se poderia dizer que o nada absoluto acontece, porque não acontece, nem se dá, nem se põe: é a ausência total. E bastaria que algo houvesse, a presença de algo, para ser improcedente o nada absoluto.

Podemos não ser o que julgamos ser, não é possível, porém, o nada absoluto, a ausência total e completa de qualquer coisa. Alguma coisa há, acontece, dá-se. Em que consiste esse “alguma coisa” é o que nos cabe examinar a seguir.

Em “alguma coisa há”, o sujeito se reflete completamente no verbo, pois fora de “alguma coisa” nada pode haver, pois o nada não há, e o haver é o haver de alguma coisa.

Entretanto, não há identidade real e formal entre haver e alguma coisa, porque haver só o que é quando é de alguma coisa, pois nada não há.

Oportunamente, provaremos por outros caminhos o que ora afirmamos.

Mário Ferreira dos Santos TESE 3
TESE 3 – Prova-se mostrando e não só demonstrando.

O conceito de demonstração (de-monstrare) implica o conceito de mostrar algo para tornar evidente outra proposição, quando comparada com a primeira.

A primeira certeza tem a naturalidade de ser mostrada, já que a demonstração implica em algo já dado como absolutamente certo. Para provar-se a validez de algo, basta, assim, a mostra, que inclui ostrês elementos imprescindíveis para a certeza.

O axioma alguma coisa há é evidente de per si, e mostra a sua validez de per si, independentemente da esquemática humana, pois esta pode variar, podem variar os conteúdos esquemáticos, mas que alguma coisa há é evidente para nós, e extra mentis (fora da nossa mente).

Mário Ferreira dos Santos TESE 4
TESE 4 – A demonstração exige o termo médio; a monstração*, entretanto, não o exige.

A demonstração exige o termo médio, pois é uma operação que consiste em comparar o que se pretende provar a algo já devidamente provado.

A monstração segue uma via intuitiva. A evidência do que se mostra impõe-se por si mesma, pois a sua não aceitação levaria ao absoluto. Também se pode fazer uma demonstração direta pela mera comparação acima citada; ou indireta, como a reductio ad absurdum, como no segundo caso.

Podemos exemplificar da seguinte forma: se alguma coisa não há, teríamos o nada absoluto, o que é absurdo: logo alguma coisa há.

Esta é uma demonstração indireta de que há alguma coisa.


* A palavra “monstração” não é dicionarizada. Nem “mostração”, sem o “n”. Uma versão aceitável seria “mostra”. No entanto, o sentido original de Mário enfatiza a oposição mostrar/demonstrar. Dada a preocupação do autor com a linguagem e a precisão filosófica do conceito exato (“monstração” vem do verbo latino monstro-monstrare, que significa “mostrar”), mantém-se a “monstração”, que deixa clara a conceituação de Mário, em lugar do “mostra”, menos agressivo ao ouvido e ao olho.

Mário Ferreira dos Santos TESE 5
TESE 5 – Há proposições não deduzidas, inteligíveis por si de per si evidentes (axiomas).

Bastaria a mera mostra de uma para dar plena validez à tese.

Alguma coisa há e o nada absoluto não há têm tais requisitos, o que vem mostrar, portanto, que há realmente proposições não deduzidas (pois estas não precisam de outras para se mostrarem com evidência), e que são de per si evidentes, pois incluem em si mesmas o suficiente grau de certeza, imprescindível ao axioma, e dispensam demonstração, pois não é mister serem comparadas com outras para revelarem a sua validez.

Elas se evidenciam de per si, o que prova a tese.

Mário Ferreira dos Santos TESE 6
TESE 6 – Pode-se construir a filosofia com juízos universalmente válidos.

É comum dizer-se que a filosofia não pode ser construída com juízos universalmente válidos, isto é, válidos para todos.

No entanto, essa afirmação é facilmente refutável, bastando que se estabeleça um juízo universalmente válido, sobre o qual, concretamente, se possa construir todo um sistema de filosofia, como o fazemos.

Os juízos, que estabeleceremos como pontos de partida para a fundamentação da Filosofia Concreta, são universalmente válidos.

Só um apelo à loucura, refutado pelo próprio apelo, poderia afirmar que há o nada absoluto e não “alguma coisa”.

Esta vã e louca afirmativa já afirmaria que alguma coisa há. Podemos duvidar de nós, não de que alguma coisa há, pois mesmo que fôssemos uma ilusão, mesmo que nós não houvéssemos, alguma coisa há. Se para expor uma filosofia precisamos de nós, não precisamos de nós para que alguma coisa haja, pois mesmo que fôssemos ilusões, seríamos a ilusão de alguma coisa que há. Portanto, este postulado independe de nós para mostrar-se como evidente.

É um juízo universalmente válido, e é sobre ele que se fundará a …

Filosofia Concreta.

O que temos feito na filosofia concreta é construir a filosofia com juízos rigorosos e ontologicamente apodíticos. (Fragmento Retirado de “Dicionario de Filosofia e Ciências Culturais”, de Mário Ferreira dos Santos)

Diagramação e Rescrição do Arquivo de artigo digital, ISAÍAS KLIPP. Arquivos Fonte:  Filosofia Concreta & Dicionario Enciclopédico de Ciências Filosóficas e Sociais, Mário Ferreira dos Santos.